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António Góis

Livros, Autores e tudo à volta

António Góis

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Como Escrever um Romance em 12 Passos

Avatar do autor António Góis, 11.03.20

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   Quer escrever um romance e não sabe como começar? Tem o romance todo na cabeça e não consegue passar para o papel? Tenha calma! Acha que os escritores nasceram ensinados?

Claro que não! Existem ferramentas e métodos que você pode seguir para se tornar um escritor. As mesmas ferramentas e métodos que os escritores Bestsellers e os roteiristas de Hollywood usam.

Mas que ferramentas e métodos são esses?

Ao longo dos próximos posts irei revelar como você pode escrever tão bem um romance como os melhores profissionais da escrita o fazem. E usando os mesmos métodos que eles.

Sabe o que têm em comum os livros de Dan Brown e os filmes da Guerra das Estrelas? Ambos usaram o método da jornada do herói, que consiste na mítica estrutura de Joseph Campbell.

A estrutura está dividida em três secções: Partida, Iniciação e Retorno.

Dentro desta estrutura, vamos aplicar os 12 passos em que consiste todo o romance:

1 - Mundo Comum / 2 - O Chamado da Aventura / 3 - Reticência do Herói ou Recusa do Chamado / 4 - Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural / 5 - Cruzamento do Primeiro Portal / 6 - Provações, aliados e inimigos / 7 – Aproximação / 8 - Provação difícil ou traumática / 9 – Recompensa / 10 - O Caminho de Volta / 11 - Ressurreição do Herói / 12 - Regresso com o Elixir.

No próximo post iremos então colocar em prática esta estrutura para a escrita de um romance.

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Robinson Crusoé

Avatar do autor António Góis, 10.03.20

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   Não existindo hoje dúvidas de que o romance moderno nasceu com Dom Quixote de La Mancha em 1605, também não existirão certamente dúvidas de que Robinson Crusoé de Daniel DeFoe (1660 – 1731) publicado em 1719, foi o grande impulsionador do romance de aventuras de língua Inglesa.

   DeFoe inspirou-se nos relatos de viagens da época e também no naufrágio de um marinheiro Escocês, Alexander Selkirk, que teria vivido durante quatro anos numa ilha deserta. O acontecimento deu-se dez anos antes de DeFoe escrever as aventuras de Robinson Crusoé.

   Daniel Defoe escreveu três volumes sobre Robinson Crusoé. A Vida e as Estranhas e Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoé, em 1719, Outras Aventuras de Robinson Crusoé, no mesmo ano, e um ano mais tarde, Reflexões Sérias ao Longo da Vida e das Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoé.

   Nascido em Londres em 1660, escreveu Robinson Crusoé aos Cinquenta e Nove anos de idade depois de uma vida de comerciante e de jornalista. Na verdade, DeFoe foi mesmo o maior jornalista do seu tempo, tendo fundado o jornal periódico The Review praticamente sozinho. Na altura tinha como contemporâneos escritores como Alexander Pope (1688 – 1744) autor de Essay on Criticism (Ensaio sobre a crítica, 1711), e Essay on Man (Ensaio sobre o Homem, 1733), e também Jonathan Swift, (1667 – 1745) autor de As Viagens de Gulliver (1726).

   Para além de Robinson Crusoé, DeFoe escreveu outros romances como Moll Flanders (1722) e Colonel Jack também no mesmo ano. Em 1724 escreveu ainda o romance Roxana. Ao todo estima-se que tenha escrito mais de quinhentas obras entre história, biografia, romance, polêmicas políticas e religiosas, sátiras e poemas.

   Em Robinson Crusoé, DeFoe optou por colocar a voz narrativa na primeira pessoa como se de uma autobiografia se tratasse.

   Na primeira parte do livro, o herói (o jovem Robinson) é aconselhado pelo pai a dedicar-se ao negócio de família, coisa que ele ignora e acaba embarcando num navio em busca de aventura. É feito escravo, acaba por escapar e torna-se fazendeiro no Brasil. Em seguida mete-se no tráfico de escravos e acaba por naufragar na ilha.

   Por aqui se verifica que o jovem Robinson quer ser ele próprio a construir o seu destino, em vez de ficar em casa e ser apenas o herdeiro do negócio familiar. Nota-se aqui a sua rebeldia em relação à figura paternal. Mas, o que no início era apenas o desejo de aventura, acaba por tornar-se com o tempo no desejo de fazer fortuna, como sejam a plantação no Brasil e o tráfico de escravos.

   Na segunda parte, temos Robinson sozinho na ilha deserta. Aqui o tema é a solidão e a sobrevivência. Durante muitos anos Robinson não avista outros seres humanos e vai sobrevivendo na sua solidão. Um dia avista uma pegada humana na areia e a sua vida passa a ser dominada pelo medo. Robinson refugia-se no seu esconderijo e recusa sair.
   Quando por fim volta a visitar o local, apercebe-se de que os indígenas costumam visitar aquela parte da ilha para fazer banquetes com os seus prisioneiros.

   Um dia salva um dos prisioneiros a quem dá o nome de Sexta-feira e a partir dai Robinson tem pela primeira vez a companhia de um ser humano na ilha. Sexta-feira passa a ser o seu criado e juntos conseguem salvar mais dois prisioneiros e correr com os selvagens.
   Agora, além de ser dono e senhor da ilha, Robinson tem também criados. Ele é o rei, a ilha a sua colónia, e todos os outros existem para o servir. Corria assim a vida a Robinson quando aporta á ilha um navio Inglês que traz alguns piratas prisioneiros. Robinson liberta os piratas e com a ajuda destes, captura o barco.

   Na terceira parte, deixa a ilha a bordo do navio capturado, vinte e oito anos depois de ali ter naufragado e dirige-se para Inglaterra levando com ele Sexta-feira. Dali viaja até Lisboa para saber dos negócios que deixara no Brasil. Regressa em seguida a Inglaterra, desta vez viajando por terra. Casa, tem filhos, e retorna à ilha em visita. Dali parte então para o Brasil onde se estabelece.

   Nesta terceira e última parte, a Acão é acelerada por Defoe, os problemas são resolvidos em poucas páginas e o final fica em aberto com Robinson a falar em futuras aventuras.

   Hoje em dia, este e outros romances da altura são todos eles acusados de serem literatura colonial, mas na verdade não passam de romances que refletem a época em que foram escritos. O próprio DeFoe é considerado um pioneiro em Inglaterra no que ao realismo diz respeito, um autor que viria a influenciar os romancistas do Século XIX.

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Ernest Hemingway, uma vida (in)completa?

Avatar do autor António Góis, 07.03.20

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    Ernest Hemingwa era um tipo duro. Aos 55 anos, quando recebeu o Nobel da Literatura já tinha sobrevivido a três guerras, dois acidentes de avião e quatro casamentos.

Pelo meio, foi condimentando a vida com Gin, Whisky e Rum quanto baste, em grandes caçadas em África, pescarias em Cuba, touradas em Espanha e festas em Paris. E literatura muita literatura.

De uma vida plena de aventuras saíram livros, muitos deles autênticos obras-primas.

Da experiência da Grande Guerra, tinha então apenas 19 anos, haveria de nascer o clássico «adeus às armas». Dos anos passados em Espanha, guerra civil incluída, ficariam para a história as obras «Fiesta» e «Por quem os sinos dobram». Sobre as caçadas em África haveria de escrever«As neves do Kilimanjaro» e dos tempos de Paris nasceria o livro «Paris é uma festa». E, quando se pensava que dali não surgiria mais

o velho e o mar, Ernest Hemingway, livraria lobo anada, eis que as pescarias em Cuba dão fruto e Hemingway escreve esse clássico dos clássicos que dá pelo nome de «O velho e o mar».

Temos, portanto aqui uma vida de aventuras, toda ela traduzida em livros, em grandes livros. Literatura pura e dura, como se quer. Aos 61 anos, olhando para trás e vendo que o tempo de aventuras terminara, recusou a monotonia que a vida lhe reservaria. 

Uma manhã levantou-se antes da mulher e foi ao local onde guardava as armas. Carregou a espingarda com que o Pai se suicidara e deu um tiro na cabeça.

Há tipos assim… duros até ao fim.

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Roberto Bolaño, ou o espírito da escrita selvagem

Avatar do autor António Góis, 06.03.20

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   Ser maior que o País onde se nasce, é próprio dos génios. Só eles conseguem ter uma obra do tamanho do mundo. Foi o caso de Roberto Bolaño.

Quase sempre incompreendidos enquanto vivos, são por (norma) glorificados depois de mortos. Denominados de marginais (por não seguirem as normas dos seus pares), de malditos ou loucos, os escritores ditos selvagens quase sempre se guiam pela originalidade dos seus textos.

Foi assim com Kerouac, foi assim com outros, voltou a ser assim com Roberto Bolaño.

Nascido em Santiago do Chile (1953) e falecido em Barcelona (2003) Bolaño representa com perfeição na literatura moderna o ícone do escritor selvagem, marginalizado pelos seus pares e, ao mesmo tempo secretamente admirado pelos mesmos. Viveu a vida como quis, escreveu muito e morreu cedo.

Escrevia para os jornais artigos em que visava (e não pelas melhores razões) os jornalistas. Lutou contra o governo e acabou condecorado pelo mesmo. Insurgia-se contra os editores e estes continuavam a editar-lhe os livros.

Admirador incondicional de Borges, Bolaño insurge-se por vezes com uma ironia corrosiva quando critica o mesmo por ter sido condecorado pelo governo de Pinochet. Acabaria mesmo por ser preso por Pinochet por ter apoiado Allende.

Escritor compulsivo, como o prova a obra 2666 (Quetzal, 2009) onde dá largas à febre da escrita em mais de mil páginas, num puro exercício de originalidade literária evidentemente só ao alcance de alguns.

É, no entanto, em obras como Os Detetives Selvagens (Teorema, 2008) considerada como a carta de despedida de uma geração, que Bolaño surpreende mais. Um gigantesco fresco que cruza tempos e lugares numa narrativa onde a técnica literária surpreende (mais uma vez) pela originalidade. Obra plena de personagens rebeldes e de um alter-ego, inseridos num enorme puzzle de permanente insatisfação e às vezes mesmo de negação, os personagens de Os detetives selvagens parecem condenados a vaguear pelo mundo para todo o sempre, talvez em busca do autor cujo espírito (selvagem) vagueia também ele num mundo que criou. Considerado como o último grande romance da literatura latino-americana no século XX, Os Detetives Selvagens será sem dúvida considerado um caso de estudo num futuro não muito longínquo.

Bolaño pretendia colocar o mundo inteiro nas páginas que escrevia. A vida não lhe deu tempo para isso.

Quando em 1999 recebeu o prémio Rómulo Gallegos, advertiu:

“a literatura é basicamente um ofício perigoso´´

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