Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

António Góis

Livros, Autores e tudo à volta

António Góis

Livros, Autores e tudo à volta

O Som e a Fúria, de William Faulkner

Avatar do autor António Góis, 29.05.20

Para quem nunca leu William Faulkner (1897–1962), este, O Som e a Fúria (1929) não será certamente a melhor opção para começar. Para entrar no mundo de Faulkner, deve começar-se pelos contos e avançar gradualmente para os romances. O Som e a Fúria é um romance complexo, talvez o mais complexo que Faulkner escreveu.

wiliam faulkner - o som e a furia.png

O Livro é narrado a quatro vozes, e com todas as narrativas a conterem lacunas, principalmente as duas primeiras, mas essas mesmas narrativas acabam por se completar umas às outras para um``entendimento´´ final da obra. O facto de a palavra entendimento aqui surgir entre aspas não é gratuito, porque mesmo depois de terminada a leitura, ainda subsistem dúvidas.

Por esse motivo, em 1945 Faulkner escreveu um apêndice para a obra. O texto intitulado, Compson:1699-1945, foi introduzido em algumas edições posteriores a 1946 e também no volume The Portable Faulkner, desse mesmo ano. Com a leitura desse texto, fica mais esclarecida a história dos personagens, não só a parte anterior a O Som e a Fúria, mas também o seu destino depois que acaba o romance.

Mas de que trata O Som e a Fúria?

O livro trata essencialmente da queda da aristocracia no Sul dos Estados Unidos do pós-guerra civil, com enfoque na família Compson, que aqui personifica esse mundo aristocrático em queda livre, e a relação entre os membros da citada família. O Sul dos Estados Unidos foi o campo de eleição da obra de Faulkner, e em O Som e a Fúria ele não deixa os créditos por mãos alheias.

Na história, como atrás foi dito, existem quatro narradores. Três dos irmãos Compson, e o próprio Faulkner. Na primeira narrativa temos Benjy, o irmão com perturbações mentais, embora conte já com 33 anos, ele continua com a mentalidade de uma criança de 3 anos. O segundo narrador é Quentin, o irmão universitário. Na terceira narrativa, surge a voz do irmão Jason, que reencarna em si o pior que o sul da altura tinha para oferecer. A quarta narrativa é do próprio Faulkner, centrada na personagem Dilsey, a criada negra da família.

De salientar é também o facto de o livro não ter uma estrutura narrativa cronológica, antes esta move-se abruptamente no tempo ao sabor das vozes narrativas aqui implantadas por Faulkner. Para além dos irmãos narrativos, há também o resto da família, o Pai alcoólico, a Mãe neurótica, e sobretudo a Irmã Caddy, que apesar de não ter voz narrativa, está presente em todas as narrativas. Pode-se mesmo afirmar que é o epicentro da obra, a personificação do desmoronar da familia, já que é a partir das suas acçõesque o drama familiar se começa a desenhar.

É no Sul derrotado e humilhado que se passa a história de O Som e a Fúria. E é neste Sul, longe da industrialização e do progresso, que se movem os narradores e a restante familia Compson. Dentro deste SulFaulkner cria um Condado imaginário, o Condado de Yoknapatawpha (que viria a servir também para outras obras) e povoa-o com personagens bem representativas da época.

Para o título, Faulkner iria inspirar-se em Shakespeare, mais propriamente na obra Macbeth: «a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, sem sentido nenhum».

E, nesta história de vidas, existe de tudo um pouco, principalmente conflitos, quer familiares (Caddy), quer raciais (Jason), quer mesmo existenciais (Quentin). Na altura em que foi publicado o livro não fez grande sucesso, certamente fruto da sua difícil leitura, mas com o tempo viria a tornar-se um clássico.

Nesta década, outros autores publicaram livros que ficariam na história da literatura. James Joyce publicara Ulisses (1922), Scott Fitzgerald surgira com O Grande Gatsby (1925) e Hemingway lançou Adeus às Armas nesse mesmo ano (1929). No México, Carlos Fuentes publicou A Morte de Arténio Cruz (1928) e em Portugal, Aquilino Ribeiro tinha nas livrarias O Malhadinhas (1922). O próprio Faulkner lançaria ainda outro livro durante o ano de 1929, intitulado Sartóris. Neste ano, Thomas Mann ganharia o Nobel da Literatura.

William Faulkner, é hoje considerado um dos percursores do romance moderno nos Estados Unidos, a par com nomes como Fitzgerald, Steinbeck, Hemingway ou John dos Passos. Venceu o Nobel da Literatura em 1949, o National Book Awards em 1951 e dois prémios Pulitzer em 1955 e 1962.

Faleceu em 1962 deixando uma extensa obra onde é possível encontrar romances, novelas, contos, poesia e argumentos para cinema, como o clássico, À Beira do Abismo, um original de Raymond Chandler.

Herman Melville para além de Moby Dick

Avatar do autor António Góis, 28.05.20

Foi uma das maiores figuras literárias da América, chamava-se Herman Melville e viveu uma vida cheia de aventuras, dificuldades e conflitos. Conhecido pelas suas aventuras marítimas, Melville foi para o mar pela primeira vez, com vinte e poucos anos, navegando para a Inglaterra e depois para a Polinésia, onde entre outras coisas viveu com canibais e participou em motins. Os seus romances foram, na maioria das vezes, mal recebidos e mais tarde na vida teve que aceitar um trabalho como agente aduaneiro para sustentar a esposa e os filhos.

livro Type, de Herman Melville.jpg

Conhecido sobretudo pelo clássico Moby Dick (escrito em 1851), Melville tem, no entanto, outros escritos que urge redescobrir, nomeadamente o seu primeiro livro Typee, Um Olhar sobre a Vida na Polinésia, publicado em 1846.

Typee, é baseado na própria experiência do autor enquanto viajante e aventureiro.
 
Viajando no navio AcushnetMelville juntamente com um amigo decidem abandonar o navio na Polinésia Francesa e esconderem-se nas florestas de uma ilha (Ilhas Marquesas). Vivem aí durante algum tempo com os indígenas que na altura se acreditava serem canibais.
 
E é a experiência dessa vivência com os selvagens que Melville nos narra em Type , um misto de narrativa de viagens, aventura e biografia.
 
O livro viria a ter uma continuação, Omoo (publicado em 1847), que relata a aventura que foi o seu regresso aos Estados Unidos.

Sherlock Holmes na Pastelaria Suiça

Avatar do autor António Góis, 23.05.20

Na verdade, Sherlock Holmes nunca esteve na pastelaria Suíça, a não ser na minha imaginação. Nunca Arthur Conan Doyle fantasiou transportar o detective do 221de Baker Street, até ao nosso País à beira-mar plantado. Até porque esta fantasia literária se passa em outubro de 1930, precisamente no ano da morte do autor.

Sherlock Holmes na pastelaria suiça.jpg

    Mas o que fazia então Sherlock Holmes em Portugal, mais precisamente na pastelaria Suíça em outubro de 1930?

Muito simples! Fora contratado para desvendar o misterioso desaparecimento do mago ocultista, Aleister Crowley, que acontecera no mês anterior na boca do inferno. Durante quase todo o mês de outubro permaneceu em Portugal, seguiu o rasto de Crowley no nosso país, contactou com Fernando Pessoa, cujo papel em toda a história era meio obscuro, e encontrava-se quase diariamente com um jornalista português (Reporter X?) na pastelaria Suíça para trocar impressões sobre o caso.

Mais à frente no decorrer da história, saberemos evidentemente quem contratou Sherlock Holmes para investigar o caso, assim como o porquê de Pessoa ser considerado suspeito.

Ficaremos a par também da entidade do jornalista português que o auxilia na narrativa. Para já, ficamos a saber que Sherlock Holmes, para além de frequentar a pastelaria Suíça quase diariamente, deu também diversas voltas pelo Chiado no encalço do poeta, e visitou Cascais e o Estoril por diversas vezes. Interessou-se pela história do País, e visitou monumentos e museus.

De entre os apontamentos que ia rabiscando, existiam diversas reflexões sobre algumas figuras históricas portuguesas. Visitou também a livraria Bertrand do Chiado, onde adquiriu uma edição de O Mistério da Estrada de Sintra, de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.

Em fase de escrita

O Caso Aleister Crowley - António Góis

 

Pág. 1/3