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António Góis

Livros, Autores e tudo à volta

António Góis

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Aquilino Ribeiro e o Regicídio de 1908

Avatar do autor António Góis, 13.04.20

   Posta de parte durante algumas décadas, a questão de Aquilino Ribeiro ter ou não participado no regicídio de 1908, reacendeu-se em 2007 quando se decidiu a trasladação dos seus restos mortais para o Panteão Nacional.

Aquilino Ribeiro e o Régicídio de 1908.png

   Políticos e intelectuais da nossa praça, ameaçaram arrancar os cabelos e um ou outro ainda pensaram em ligar à comunicação social dizendo que se iriam atirar da ponte 25 de Abril.

Em abono da verdade, não existe qualquer prova de que Aquilino tenha participado no regicídio que vitimou o Rei D. Carlos e o seu filho, o Príncipe D. Luís.

Conta Raul Brandão no seu livro Memórias (Renascença Portuguesa, Porto, 1919) e também o próprio Aquilino em Um Escritor Confessa-se (Bertrand, 1974) que não estaria nos planos matar o Rei. O que Buiça e Costa tinham planeado era assassinar o Ministro João Franco, e para tal andavam havia três dias a tentar embosca-lo.

Como tal, nesse mesmo dia 01 de Fevereiro, ficara combinada uma emboscada ao Ministro na Avenida Alexandre Herculano. Conta Raul Brandão que Buiça e Costa terão perdido a hora a que o Ministro por ali passou, o que impossibilitou o ataque.

Resolvem então ir para o Terreiro do Paço onde se preparava a recepção ao Rei, certos de que João Franco mais tarde ou mais cedo, haveria de acabar por passar no local.

Seriam cinco, os regicidas. Domingos Ribeiro, Alfredo Costa, Manuel Buiça e mais dois elementos cujos nomes não foram referidos.

Em nenhuma das duas obras, quer na de Raul Brandão, quer na de Aquilino Ribeiro, é referido que Aquilino estivesse nesse dia no Terreiro do Paço. O que se refere, isso sim, é que nessa altura o mesmo se encontrava escondido numa casa na rua Nova do Almada em frente ao tribunal da Boa Hora, já que em 12 de Janeiro se havia evadido da prisão.

Afirma Aquilino que conspirou contra a Monarquia, e o facto de ter sido preso foi devido ao fabrico de bombas a serem utilizadas em atentados. No entanto, o regicídio não foi um atentado bombista.

É por demais sabido que Aquilino era um revolucionário. Que tinha ligações a Buiça, a Alfredo Costa e á Carbonária. O próprio, nunca o negou.

No meio de todo este processo, existem ainda hoje muitos buracos negros. O próprio processo desapareceu depois da implantação da Republica.

A verdade é que a ninguém pareceu querer levar até ao fim a empreitada. Nem Monarquia, nem República, nem o Estado Novo.

No entanto, da fama de Regicida, Aquilino Ribeiro nunca se livrou e o exílio em Paris, seria o passo seguinte.