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António Góis

Livros, Autores e tudo à volta

António Góis

Livros, Autores e tudo à volta

Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz

Avatar do autor António Góis, 05.06.20

Escreveram-se em Portugal, (pelo menos) dois livros que o tempo viria a tornar em clássicos sobre o tema que durante muitos anos foi tabu: A guerra colonial. Um é este, Nó Cego (1982), o outro chama-se Autópsia de um Mar de Ruínas, e foi escrito por João de Melo em 1984.

nó cego, de carlos vale ferraz.jpg

   Com a acção localizada no norte de Moçambique, a narrativa de Nó Cego acompanha uma companhia de Comandos durante a guerra colonial e a operação Nó Górdio.

Há uma inesquecível galeria de personagens que vão desde os praças o Vargas, o Espanhol, o Casal Ventoso, o Torrão, o Freixo, o cabo Cabral ou o alferes Lino, todos eles com histórias de vida para contar, enquanto à sua volta vão rebentando as minas e se ouvem as rajadas das G3.

Autêntico exercício de memória, Nó Cego é um livro essencial para a compreensão deste período conturbado da história de Portugal que afectou toda uma geração que combateu na guerra colonial.

Nesta edição, embora mantendo toda a estrutura da obra, Carlos Vale Ferras fez uma revisão de texto a fim de intensificar a narrativa, mas o livro não perde com isso. Um dos grandes romances do nosso tempo que já se tornou, em Portugal e não só, um autentico caso de estudo.

Carlos Vale Ferraz, ele próprio um ex-oficial dos Comandos, cumpriu diversas comissões nas ex-colónias Portuguesas. Sabe, portanto, sobre o que escreve. Sabe muito bem mesmo.

Carlos Vaz Ferraz, é o pseudónimo literário de Carlos Matos Gomes, e Nó Cego foi a sua primeira incursão na ficção.