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António Góis

Livros, Autores e tudo à volta

António Góis

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Hemingway e os Extraterrestres

Avatar do autor António Góis, 03.07.20

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Ernest Hemingway era um tipo no mínimo curioso. Viveu muito tempo em Cuba, fumava charutos, bebia que se fartava e, entre duas carraspanas, escrevia livros com títulos tão alegres como As Verdes Colinas de África, As Neves do Kilimanjaro ou Paris è uma Festa. Não andasse eu tão ocupado a escrever uma obra-prima de ficção científica, que por acaso também tem um título bem alegre, Os cães não ladram aos extraterrestres, e haveria de ler um ou outro livro do tipo.

Numa manhã de ressaca deu um tiro na cabeça! O Hemingway, quero eu dizer. Mas não sem antes ganhar o Prémio Nobel, logo a seguir a ter escrito um livro chamado O Velho e o Mar onde havia um velhote que um dia foi á pesca e apanhou um peixe tão grande que não conseguiu mete-lo dentro do barco. Mais olhos que barriga estava-se mesmo a ver.

O título para o livro, surgiu-me quando vi na televisão o anúncio em que uma Senhora dizia que às tantas da madrugada ouviu ladrar os cães no quintal e eram os extraterrestres que lá andavam a roubar as ameixas. Vai daí, ela que já tinha feito negócio com o Senhor da compal, pega na enxada e dá-lhe tantas que nem o Luisão nos jogadores adversários. Parece que ameixas não levaram nem uma!

O meu amigo M, que é um tipo versado nestas coisas, diz que aquilo não tem pés nem cabeça, porque os cães nunca ladram aos extraterrestres, e dai eu ter tido a ideia original de dar este título à minha obra-prima. Ao Hemingway, tanto quanto sei, nunca as bebedeiras lhe deram para escrever ficção científica.

D. Afonso Henriques - A Crónica do Conquistador

Avatar do autor António Góis, 22.04.20

Nasci, segundo uns, no ano de 1109 em Viseu, segundo outros em 1111 em Guimarães. Não se entendem nem quanto à data, nem quanto ao local e eu, embora presente no evento, não tenho memória do mesmo.

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   A Senhora minha Mãe, D. Teresa De Leão, ora ocupada na gerência do Condado, ora ocupada com o Galego Fernão Pérez de Trava, também nunca mo disse. De tão ocupada que estava, acabou por me entregar a Dom Egas Moniz de Ribadouro, que se encarregou de me criar.

 
De meu Pai, Henrique de Borgonha, não tenho eu qualquer memória. De qualquer modo, posso aqui adiantar que nunca fui aleijado em criança, não bati na minha Mãe em adolescente, nem medi dois metros depois de adulto, como rezam algumas crónicas.
 
Tudo isto foi inventado por um cronista, uma besta-quadrada que vivia paredes meias com um alambique e bebia que nem uma esponja. Umas boas espadanadas na lombeira, haveria de levar se eu lhe colocasse os olhos em cima. Gente assim deixa-me danado. Bem… adiante!
 
A minha vida permanece um mistério, até para mim mesmo. Parece que foi em 1128 que corri com os Galegos do Condado, na batalha de São Mamede e vem daqui o boato de que bati na velhota. Na verdade o que fiz foi apenas indicar-lhe o caminho da Galiza.
 
Outro dos boatos sobre a minha pessoa provem da batalha de Ourique, onde fui aclamado Rei. Mais uma vez, as opiniões se dividem, ninguém parece saber onde se deu a batalha. Parece que vi Cristo pregado na cruz nas vésperas da batalha, certamente fruto da álcaria que ingeri.
 
Derrotei a Moirama toda nesse dia. Mais viessem, mais caiam. Era cada tiro, cada melro. Embalado, desatei a conquistar terras que nem um doido, Leiria em 1145, Santarém em 1147, Lisboa, Almada e Palmela nesse mesmo ano.
 
Lisboa foi difícil. Não fosse uma ajudinha dos cruzados que iam a caminho da Terra Santa, desconfio que ainda hoje estava por conquistar. A Moirama era muita e um Homem não é de ferro. Enfim… adiante.
 
Consegui conquistar Alcácer em 1160, depois de muito suar. A partir daí foi sempre a abrir e em pouco tempo todo o Alentejo era meu.
As coisas começaram a correr mal em 1169, quando tive que me deslocar a Badajoz para socorrer o Geraldo Sem Pavor, um tipo com pouco tino mas a quem eu devia alguns favores. O gajo cercara aquilo e não andava nem desandava. Fico danado com tipos assim.
 
Batalha de má memória. Vá lá saber-se como, cai do cavalo. Eu até já tinha caído do cavalo mais vezes, ora com sono, ora com a bebida. Mas desta vez a coisa deu para o torto. Parti a perna e ainda por cima fui feito prisioneiro pelo Rei Fernando II que por acaso era meu genro. Isto é que foi uma gaita. Por vergonha ou por vontade, o tipo lá me libertou. Voltei ao Reino, mas médicos de jeito, nem um. Fiquei aleijado para o resto da vida.