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António Góis

Livros, Autores e tudo à volta

António Góis

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A Ocupação, de Julián Fuks

Avatar do autor António Góis, 19.06.20

Começaram a chegar pé ante pé, mas já se encontram nos locais do costume. Falo de novos livros, as editoras estão a recomeçar a editar e as novas edições já estão nas livrarias.

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   A Companhia das letras, já tem nas livrarias o novo romance do Brasileiro Julián Fuks, vencedor do Prémio José Saramago e também do Prémio Oceanos. O romance chama-se A Ocupação e, é o sucessor de A Resistência, editado em 2015.

O mesmo narrador e o mesmo personagem, embora em A Ocupação, Julián Fuks alargue um pouco os horizontes e o autor dê mais liberdade criativa ao duelo narrador x personagem. Em A Ocupação, encontramos Sebastián sempre enredado nos seus dramas familiares que, ao mesmo tempo, são os dramas de um País à deriva que parece não ter salvação possivel.

Na presente narrativa, Sebastián, vagueia por São Paulo, rumo ao Hotel Cambridge, ruína de um prédio outrora grandioso e no presente ocupado por um grupo de sem abrigo. Este é o nucleo principal do enredo, sendo que a partir daqui divergem outros fios narrativos que obrigam à reflexão de alguns dos temas da sociedade actual.

Sebastián, atravessa agora um periodo trágico, toda a sua vida está em ruinas, a mulher não engravida, o pai está acamado num hospital, e isso leva-o a reflectir, por vezes até na própria politica e na sobrevivência do País.

Ao contrario de Resistência (2015), A Ocupação (2019) vai mais fundo, e no fim, embora ressalvando a qualidade da prosa de Julián Fuks, fica a impressão que de certa maneira, existe aqui um tanto ou quanto de manifesto social, já que o autor, embora afirme não querer fazer uma literatura militante, vive preocupado com a sociedade que o rodeia e isso reflete-se evidentemente na sua obra.

Uma curiosidade: O escritor Mia Couto, surge como personagem no romance.